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Novo Testamento

João 9

Dando um rolê com os discípulos, Jesus viu um cego de nascença. Seus discípulos perguntaram: “Mestre, tá na cara que alguém fez cagada. A questão aqui é: foi esse infeliz no ventre da mãe dele que fez ou foram seus pais?”.

Aí Jesus explicou: “Chega aí rapaziada. Olha só, toda teologia até agora tentou explicar o ‘porquê’. Mas o certo seria perguntar: ‘o que podemos fazer por ele?’. Nem ele, nem seus pais erraram. Isso aconteceu porque Deus quer trabalhar através da vida dele. O momento que vocês estão vivendo agora é o melhor momento da humanidade, afinal eu sou a luz do mundo; e de noite não dá para trabalhar, né não zezão? É preciso entender que vocês podem ter vários tipos de reações diante de um problema assim. Podem simplesmente ficar revoltados e atirarem pedras em Deus. Podem também ficar presos em longas discussões teológicas tentando livrar Deus deste problema. Ou fazer o que é certo. Estender a mão para fazer algo por ele”.

Tendo explicado esta parada para os discípulos, Jesus deu uma escarrada no chão, fez uma massa de barro e aplicou nos olhos do cara. E mandou o cara ir lavar os olhos no tanque de Siloé. O cidadão foi lá e voltou vendo!
As pessoas que conheciam o ceguinho, vendo o cidadão chegando do nada e olhando com aqueles olhos abertos, ficaram espantadas. Eles não acreditavam que era o cara, pois achavam que era aquele velho truque de colocar um dublê. Então levaram o homem que era cego aos fariseus.
Chegando lá, a força tarefa da religião, os que sempre querem dar o selo ISO CÉU nas coisas referentes à espiritualidade, ouviram o ex-ceguinho.
O delegado da Divisão de Assuntos de Milagres Fora da Religião Convencional (DAMFRC) tomou o depoimento do meliante, digo, cego, digo ex-cego.

“− Conta aí como foi que você voltou a ver”.

“− Ele cuspiu no chão fez uma massinha de barro e esfregou nos meus olhos. E depois de me lavar no tanque do ‘enviado’ eu fui curado” – disse o ex-ceguinho.

“– Esse tal de Jesus é um filho do Demônio!” – gritavam os religiosos que estavam lá para ouvir também o depoimento. Porém alguns sussurravam entre si: “Como alguém pode curar um cego de nascença?”. Essa era uma dúvida que dividia os religiosos.

O delegado voltou a perguntar ao ex-ceguinho: “O que você acha que este Jesus é?”

“Acho que ele é profeta” – respondeu. “Ah, acho que este cara aí é um farsante. Tá tudo combinado!” – diziam os fariseus ao delegado.

Então trouxeram os pais do carinha que foi curado e perguntaram se de fato ele era cego. Eles confirmaram em testemunho que ele era filho deles e tinha nascido cego. E disseram: “Nós não sabemos como ele foi curado. Perguntem para ele! Nosso filho já tem idade para se virar sozinho com a polícia”. Naquele momento havia muita pressão para não dizer que Jesus era o Ungido de Deus, e os pais do ex-ceguinho não queriam pôr o deles na reta. Então o delegado mandou chamar o ex-ceguinho de novo para tomar depoimento.

“– Rapaz, para a Glória de Deus, responda a verdade! Vou te dar mais uma chance para você não se comprometer” – disse o delegado. “QUEM FOI QUE TE CUROU, PESTE?”.

“– Já disse delegado, foi Jesus! Essa curiosidade toda é porque, heim? Quer ser discípulo dele? Posso passar o endereço dele” – riu o ex-ceguinho olhando para a galera. A galera não gostou nada disso. E começaram a xingar o ex-ceguinho de tudo que é nome. E ofendidos começaram a gritar que ele é que era um maldito.

“– Somos seguidores de Moisés!” – gritavam loucamente. “Moisés ouviu diretamente de Deus tudo quanto seguimos, já este Jesus aí, nem sabemos de onde vem e a quem de fato segue”.

“– Ah gente, para né?! Vocês sabem pelo próprio ensino que nos dão nas sinagogas que milagres deste porte só podem ser feitos por gente que Deus aprova. E agora vocês veem um milagre acontecendo e querem esquecer o que vocês ensinam? Então tá, só quem acredita na teologia de vocês é que é santo. Aham, fácil assim, né não?”– falou retrucando o ex-cego.

Os religiosos ficaram sem argumento e mandaram o ex-cego picar a mula, capar o gato, dar o pira, vazar.

Dando um rolé pelas redondezas, vendo e descobrindo as cores do mundo, o ex-ceguinho dá de cara com Jesus, que pergunta para ele: “E aí meu chapa, diboa? Tá vendo o mundo com outros olhos, né não?”.

“Tô sim senhor”, respondeu o ex-ceguinho.

Pondo a mão no ombro do ex-cego e, olhando nos olhos dele, Jesus pergunta: “Então, você crê no Ungido?”.

“– Ué, creio. Só não sei quem é ele”.

“– Sou eu amigo”, disse Jesus apertando a mão do ex-cego.

“– Poxa vida! Ah, Jesus como o Senhor é maravilhoso, você é o cara! Obrigado por se importar com alguém esquecido num canto qualquer. Obrigado por ter me visto, me enxergado, me amado e por ter me tirado da cegueira”.

Então Jesus disse: “Eu estou aqui para que ninguém mais viva espiritualmente cego. E para os que se julgam entendedores do mundo espiritual, detentores das ‘chaves dos conhecimentos celestes’, estes eu tornarei cegos”.

E finalizou os caras no tatame da moral dizendo: “Se estes caras não pagassem tanto de conhecedores, haveria misericórdia. Mas como não são humildes o suficiente para reconhecer, permanecerão ferrados”.

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