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Novo Testamento

João 7

Jesus se mantinha longe da Judeia porque os religiosos queriam matá-lo (essa gente é perigosa, muito perigosa).

Então, escuta só. Quando estava chegando o tempo da festa das barraquinhas, os irmãos de Jesus deram uma ideia de jerico. Não a cidade, mas o animal (porque não tem acento): “Compre um horário de TV ou impulsione suas publicações nas redes sociais. Afinal, se você quer o seu Ministério conhecido e honrado na Judeia toda, tem que ir atrás da audiência!”. Essa ideia foi copiada dois milênios depois pelo pastor de bigode-sem-bigode, entre outros também, que com o programa de TV, ou na Internet, ficaram artificialmente conhecidos.

Jesus então responde seus irmãos numa boa: “Engraçado, né? Pimenta no olho do outro é refresco. Eu sei o quanto ainda vou penar na mão dessa gente. Ainda não é a hora. E nem vem com essa musiquinha de comunista de butique que ‘quem sabe faz a hora não espera acontecer’ que não rola. Eu sei quando devo ir. Se estão com vontade, vão sozinhos!”. E ele ficou por lá quieto. Mas, depois que seus irmãos vazaram, resolveu ir também para a festa das barraquinhas na surdina. Lá na festa já havia um zum-zum a respeito dele. Mas sabe como é, o povão com medo de ser repreendido falava sobre só em conversa de pé de orelha.

A festa já estava lá pela metade quando Jesus resolveu ir ao templo para ensinar. Os caras ficaram admirados com a profundidade e clareza dos ensinos de Jesus (temo que hoje Jesus não teria espaço por ser tão claro, simples e direto) e, de boca aberta, perguntavam: “Em que faculdade ele estudou? Ah, deve ter estudado nos EUA, Europa ou coisa assim!”. Foi quando Jesus falou: “Olha só, o meu ensino não procede de mim. Isso não sai da minha cabeça. Este ensino eu aprendi daquele que me enviou. Se aqui e agora alguém decidir fazer a vontade de Deus, vai entender que o que ensino procede dele. Eu não tiro as conclusões do meu próprio ensino, como alguns filósofos o fazem, pelo contrário. Só falo aquilo que procede do meu pai. Não desejo glória para mim, desejo glória para o meu pai”.

Jesus continuava a falar, só que agora olhando firme nos olhos dos religiosos: “Moisés deu a Lei, mas vocês não estão nem aí para paçoca em cumpri-la. Mas tão aí tocando o terror e tentando me matar”. Os caras responderam: “Peraí, tá maluco seu endemoninhado?” (Ih moleque, os caras disseram que Jesus era um endemoninhado e nóis aqui chorando as bicas por termos ganhado o mesmo título).

Jesus responde os caras: “Então tá, eu fiz um milagre no sábado e vocês estão admirados. Aí ficam me enchendo o saco porque Moisés deu para vocês a autorização para tirar a pele do ‘companheiro’ no sábado. Para não ficarem num nó teológico, pois se o oitavo dia do moleque der em um sábado, terão que decidir entre si qual das leis devem quebrar, se o sábado ou a circuncisão. Aí decidiram quebrar a mais fraca que é o sábado e ainda querem me julgar? Ah vá”.

Na cidade de Jerusalém começaram a perguntar: “Ei, mas esse aí não era quem os caras queriam prender? Ele tá aí falando e ninguém toma providência? Querem prendê-lo mesmo ou é só cascata?”. Aí começou aquela discussão teológica sem fim. Os religiosos ficavam se perguntando se Jesus era o Ungido. Mas consultaram suas próprias interpretações e concluíram de suas próprias ideias que não era. Por isso que, desde a época de Jesus, é melhor crer nas Escrituras e não na teologia.

Até tentaram prender Jesus, mas não conseguiram porque ainda não era hora. Mesmo assim muitos creram. Igualzinho acontece com esta paráfrase. Pode até parece que não, mas tem gente sendo edificada.
Como o assunto “Ungido” estava crescendo na multidão, os fariseus pediram para a polícia dar um jeito de prendê-lo.

Jesus então diz aos caras: “Eu estarei aqui por pouco tempo. Para o lugar que estou indo vocês não poderão ir agora”. Os judeus indignados com a fala de Jesus disseram: “Esse cidadão tá se achando. Nós os judeus estamos nos quatro cantos do mundo e não vamos achar este nazareno?”.

No último e mais importante dia da festa das barraquinhas Jesus levantou e disse aos berros: “Alguém tendo sede que venha a mim. Crendo em mim, de dentro do sujeito fluirá um rio de água viva melhor que as jarras de água e vinho que servem a galera na festa”.

A galera, ouvindo tudo isso, começou a dizer entre si que Jesus era o Ungido. E começaram a buscar nas Escrituras as comparações para saber se de fato isso fazia sentido.

A polícia voltou para o templo sem ter prendido Jesus. Disseram aos fariseus que não o tinham prendido por conta da sua mensagem. Os fariseus ficaram putos, pois acharam que Jesus tinha convencido até eles. Os caras ficaram ofendidos e perguntaram se algum fariseu tinha crido. Aí os caras responderam: “Tá maluco, nós da ‘boa teologia’ nos destacamos deste povo bocó! Nós entendemos tudo de teologia, essa ralé aí não sabe separar o dia da noite”.

No meio deles estava Nicodemos (lembra o cara do capítulo 3?). Ele provocou os caras perguntando se no entendimento deles a Lei dava permissão para condenar alguém sem que antes o sujeito fosse ouvido. Os caras, num tom ameaçador, falaram sarcasticamente: “Mora na Galileia também Nicodemos? Se você estudar um pouco mais vai lembrar que não tem profeta na Galileia”. Depois disso cada um pegou seu rumo.

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