João 5

02/03/2013

Passou um tempo depois e Jesus foi para Jerusalém para participar de uma festa religiosa. Sim, Jesus ia a festas religiosas também. Diferente de muito crente que quer romper com tudo que tem cara de religiosidade.

Em Jerusalém tinha um tanque perto de uma entrada com nome de “porta das ovelhas”. O tanque tinha cinco entradas em volta. É igual as procissões espalhadas por todo mundo. Havia um grande número de gente querendo um milagre. Dá para pensar naquela música do moço de Belo Horizonte na boca desta gente. E sim, o “milagre ia passar” só para um, não para todos. Até porque o milagre só acontecia para o primeiro que entrasse no tanque.

Tinha um cidadão paralítico fazia trinta e oito anos ali. Jesus passando no meio daquele ambiente viu este cidadão deitado no chão, interagindo com a galera soube que ele estava ali já fazia uma pá de tempo. Sentando ao lado dele Jesus começou a conversar: “Vejo que está aqui há muito tempo. Também está em busca de cura?” O paralítico movendo os olhos para tentar focar melhor respondeu: “Até quero, mas sou sozinho e quando tento entrar, outro vai mais rápido do que eu. Aí eu danço. O que resta então é suspirar e esperar mais um ano”. Jesus com um sorriso no rosto, falou: “Vai precisar esperar mais não. Pode levantar, você tá curado”. O paralítico, feliz da vida, começou a pular e cantarolou bem alto “Ah lelekleklekleklek”, afinal a felicidade dele era tanta, que o que ele queria era dançar, pular e sair abraçando todo mundo.

De repente a alegria do ex-paralítico foi interrompida pelos empata-felicidade. Os religiosos perguntaram ao carinha do “ah lelekleklekleklek” o que ele estava fazendo de pé e segurando uma maca num sábado. Ele sem mudar a cara de felicidade, foi logo falando: “Ah, na boa chefia, estava lá no tanque esperando o meu milagre chegar e ele chegou”. Os religiosos, com o semblante de desaprovação, puseram as mãos no ombro do irmãozinho que fora curado e perguntaram: “Você sabe que não pode ser curado assim. Tem que assinar um formulário de três vias, despachar no departamento de recursos do milagre, esperar o correio entregar via PAC, ou seja, vai levar muito tempo, não é assim tão fácil. Tá achando que é só receber um milagre sair cantando e tá tudo certinho? Se for sábado recuse o milagre, Deus não age no sábado, Deus não age assim, volta pro tanque e fica deitado lá até a manhã de domingo. Xispa! Mas antes de ir, diz aí, quem foi que te curou?”. O ex-paralítico respondeu: “Não tenho a menor ideia. Tô curado é o que importa. Deixe-me ir”.

Quando Jesus estava no templo ele encontrou com o irmãozinho que recebeu a cura e lhe bateu a real: “Você tá curado irmão, vê se não dá bobeira para que o a situação não fique pior para o seu lado. Fica esperto!”

Os religiosos não tinham muito motivo para gostar de Jesus. Agora, achando que tinham uma questão para pegar no pé, é que não gostariam mesmo.

Vendo que a situação ia de mal a pior, Jesus argumenta com os caras dizendo: “Meu Pai está trabalhando até agora. E eu também estou trabalhando. E não há sábado que nos impeça de amar, curar, salvar e relacionar”. Dava para ver a cara de ódio dos caras quando eles ouviram estas palavras.

Olhando para eles com aquele olhar de quem está dando uma sentença disse: “Olha, fiozinho de ouro, a verdade é uma só: eu não posso fazer nada de mim mesmo; só posso fazer o que o meu Pai faz. Pois o amor que meu Pai tem por mim é um amor muito profundo, ao ponto de não haver segredo entre nós dois. Da mesma forma que o Pai faz alguém voltar à vida eu também faço. E no dia do julgamento, o Pai entregou o tribunal para mim, porque a honra que o Pai recebe ele também deixará o filho receber. E na real, quem ouve o que eu digo e crê naquele que me enviou, terá uma vida para sempre, escapará da condenação e passaram da morte para a vida! E vou dizer mais. Prestem atenção na parada porque é sinistra e muito, mas muito real: até os mortos vão me dar moral e vão viver de novo”. E continuou: “Tão de boca aberta por quê? Vai chegar o dia em que os túmulos darão mais moral ao que estou falando do que vocês. E mais: o meu julgamento é justo, porque não tenho a menor necessidade de fazer a vontade de crente e ateu cheio de #mimimim, faço a vontade do meu Pai e pronto.”

Tinha um grupo tentando sair de mansinho. Jesus virou para eles e disse: “Espera aí, sai não porque o bagulho aqui ainda não acabou. Eu não estou falando de mim mesmo. João é o cara que deu testemunho a meu respeito. Não preciso ser reconhecido por homem algum. Mas para que a cabecinha redonda de vocês consiga entender é preciso que seja assim, senão ninguém aqui seria salvo. Vocês nunca viram o Pai como eu vi”.

E continuou a sarrafada: “ Caras, vocês se metem a serem teólogos. Estudam, estudam e estudam mais. São tremendamente grossos e nada amorosos com quem tem um pouquinho menos de conhecimento que vocês. Falam a respeito do Ungido com toda a propriedade, mas quando chegaram a vê-lo tete-a-tete não creram. A teologia de vocês cegou o entendimento. Ô gente tapada”.

“Nem adianta querer puxar o saco. Não preciso da glória de vocês. Sei que tipo de gente vocês são. Sei que o amor pela tal da ‘boa teologia’ os tornou gente seca, hipócrita esem amor. E não era para ser diferente, o lugar onde deveria reinar Deus agora reina a Teologia. E vai ser difícil crer mesmo. Nesta busca de se tornarem a ‘voz apologética’, a ‘Polícia divina da fé’ e da busca tresloucada por honras humanas, vocês deixaram de lado a glória simples, irradiante, plena e verdadeira do Deus único. E sabe de uma coisa? O engraçado é que na verdade quem vai denunciar vocês é a própria Teologia que vocês colocaram num altar. Esta teologia diz a meu respeito, mas vocês amam mais a forma do que o entendimento. É uma pena, pois se vocês não conseguem ver isso na Teologia de vocês, como vão crer num relacionamento simples e vivencial que proponho?”

Guilherme Burjack - burjack@gmail.com

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