João 19

07/08/2013

Pilatos deu ordem aos soldados que açoitassem Jesus. Não bastando a violência, usaram de sacanagem com alguém que estava indefeso e deram para ele uma coroa de espinhos e uma capa vermelha. E batiam na cara enquanto tiravam onda, dizendo “Salve o rei dos Judeus!”.

Lá na porta de entrada do escritório de Pilatos estava toda a gente “boa” da religião, mantendo os pés fora de um lugar pagão, mas com o coração alegre com tanta violência. Pilatos, se dando por satisfeito, levou Jesus até eles e disse que não via motivo algum em para acusá-lo (então porque o encheu de porrada?).

Quando os sacerdotes e a milícia religiosa viram Jesus, esbravejaram: “Crucifica! Crucifica! Crucifica!” – mas Pilatos cortando a onda da galera disse: “Crucifiquem vocês, eu não vi motivo algum para que este homem seja condenado. Não há base legal para isso”.

"Não! Espera aí Pilatos, ele cometeu uma blasfêmia contra a nossa lei, e segundo a nossa lei ele tem que morrer porque disse que era Filho de Deus."

Quando Pilatos tomou pé da situação, entrou para dentro com Jesus de novo e perguntou apavorado: “De onde você vem? Quem é você!”. No entanto Jesus permanecia na dele, calado. “Se liga Jesus, você sabe que eu sou a autoridade maior aqui? Posso te mandar soltar como posso te matar.” – falou Pilatos.

Aí Jesus mandou essa: “Olha só, você não tem autoridade nenhuma sobre mim. Isso tudo está acontecendo porque meu Pai autorizou. E no mais, fica de boa, por que quem me delatou errou feio, errou mais feio do que você”.

Deste momento em diante Pilatos tentou de todas as maneiras libertar Jesus, mas como não queria confusão, pois os sacerdotes tinham dito que se ele era amigo chegadão mesmo de César não deixaria outro dizer que era rei. Daí Pilatos sentou-se na cadeira de Juiz e apresentou Jesus como sendo o Rei dos Judeus. Mas a galera gritava para crucificar Jesus. Pilatos tirando onda disse: “Ué, mas devo matar o rei de vocês?” – contudo os sacerdotes gritavam que não tinha outro rei senão César.

Pilatos então autorizou a crucificação. Levando a sua própria cruz, Jesus foi conduzido até ao Monte da Caveira e lá foi crucificado com mais dois. A cena não poderia ser a mais injusta, mas ainda há espaço para maldade. Pilatos querendo tirar onda mandou pregar na cruz onde Jesus foi crucificado uma placa com os dizeres: Jesus nazareno, Rei dos Judeus. A placa foi lida por muitos judeus e ainda estava escrita em três idiomas: o aramaico, o latim e o grego. Os sacerdotes ficaram aperriados com o que foi escrito e pediram para tirar, mas Pilatos disse “O que escrevi tá escrito e não vou tirar placa nenhuma.”

Na hora da crucificação estavam por perto Maria a mãe de Jesus, a irmã dela, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu a sua mãe e também tinha visto a João, disse para sua mãe: “Aí está o seu filho”. E a João disse: “Aí está a sua mãe”.

Tendo passado um tempo, Jesus compreendeu que o que as escrituras predisseram a respeito da sua morte tinham se cumprido. Disse: “Estou com sede”. E por perto tinham colocado uma vasilha de vinagre e deram para que ele bebesse. Quando a esponja tocou os seus lábios ele exclamou: “Está pago!” E com isso curvou a cabeça e morreu.

Exatamente neste dia, os judeus estavam comemorando o Dia da Preparação. O dia seguinte, sábado, era marcante, pois era o dia da comemoração da Fuga do Egito. Por isso os judeus não queriam que nenhum corpo ficasse pendurado numa cruz enquanto o povo se divertia, além de ser um dia sagrado.

Então os soldados quebraram as pernas do primeiro homem a ser crucificado e em seguida do outro. Mas quando chegou a vez de Jesus, perceberam que ele já estava morto por isso não lhe quebraram as pernas. Ao invés disso o soldado furou o lado de Jesus com uma lança e saiu sangue e água. João, o discípulo amado, foi quem viu e dá testemunho que isso é verdadeiro para que todos creiam. Não há dúvidas que tudo se cumpriu para que as escrituras fossem confirmadas: nenhum osso seu seria quebrado, como também está escrito em outro lugar: “Vão olhar para aquele que transpassaram”.

José de Arimatéia, um discípulo tipo 007, foi até Pilatos para pedir o corpo de Jesus para que pudesse sepultá-lo. Ele estava acompanhado de Nicodemos, outro agente secreto, que levou mais de trinta quilos de preparação para defuntos. Eles prepararam o corpo de Jesus para ser sepultado com faixas de linho e com as especiarias, e fizeram isso de acordo com o rito judaico para sepultamento. Jesus foi sepultado num jardim, num sepulcro novo e isso se deu na mesma sexta feira – o Dia da Preparação.

Guilherme Burjack - burjack@gmail.com

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