João 13

14/03/2013

Momentos antes de começar a festa da Passagem, Jesus entendeu que já estava chegando a hora da sua morte, quando deixaria este mundo e voltaria para o Pai. Ele amou demais da conta (expressão bem goiana) os seus amigos. Enquanto a comida estava sendo servida, Judas e o seu chegado (o Diabo), já tinha fechado o esquema da traição.

Jesus era um cara resolvido. Sabia de onde tinha vindo, sabia do seu poder e sabia que estava voltando para casa.

Jesus e os seus amigos tinham vindo de Betânia e, como estavam todos eles usando havaianas, chegaram com os pés encardidos de sujeira. No salão onde seria servida a refeição da Passagem havia um balde e pano para lavar os pés. Aí neguinho olhou para o balde, olhou para os pés dos chegados, e começou a assoviar, pois lavar os pés dos outros não era um serviço para gente ‘diferenciada’. Afinal eles eram a tropa de elite, amigos do filho do Boss.

Jesus então levantou da mesa e pôs o uniforme da Tiozinho da Limpeza que estava de folga porque era feriado. Ele foi até o canto onde estava o balde e o pano para enxugar e começou a lavar os pés de cada um de seus amigos. A lembrança que passava em sua mente era do tempo que passaram juntos estes três anos, as situações que enfrentaram juntos e o quanto ele os amava. Não estava lavando por lavar, mas estava abençoando e orando ao Pai para que aqueles pés não vacilassem pelo que ainda viria pela frente.

Ele lavou pés de cada discípulo, inclusive o de Judas. Deu para perceber que o traíra se sentia constrangido com tal ato. Mas houve amor, submissão e um forte suspiro do mestre quando ele acabou de lavar os pés deste Fi-do-Cão.

Mas como era de se esperar, Pedro não quis deixar Jesus lavar os seus pés. Estava puto de raiva por ver o Mestre se rebaixar a tanto. Quando Jesus chegou perto do malaco, ele deu chilique: “Ué Jesus, o Senhor vai lavar mesmo os meus pés?”. Jesus segura firme na mão de Pedro, que estava tentando tirar das mãos de Jesus o balde, e diz ao amigo: “Pedro seu Fanfarrão! Você não tá entendendo mano. Isso não é só físico, é espiritual também. Se eu não te lavar, velho, você não faz parte do reino”.

Pedro então louco da vida pela rata que tinha dado disse: “Lava tudo Jesus, lava tudo então”.

Jesus conduziu Pedro para o seu lugar novamente e disse: “Pedrão, Pedrão. Você é uma figura irmão. Você já tem parte comigo chegado, basta deixar que eu lavasse os seus pés” e virando para seus amigos à mesa disse: “Nem todos aqui estão salvos. O traidor não está salvo. Ele sabe disso”.

Jesus tirando o uniforme do Tiozinho da Limpeza perguntou aos discípulos se eles tinham pegado o esquema da ideia ‘do lavar os pés’?

Então Jesus disse aos caras: “Prestem bem atenção. Vocês me consideram o mestre de vocês e, de fato, eu sou. Vocês viram o que eu fiz. Se eu, sendo o mestre, me submeti a fazer o serviço do Tio da limpeza, vocês também devem fazer o mesmo um pelos outros”.

E continuou dizendo: “Galera, se o patrão é maior do que o empregado e, se o patrão serviu com humildade, o empregado que é menor não vai poder fazer diferente. Sacou? Não dá para agora não fazer o que eu fiz. Se vocês colocarem em prática o que eu ensinei, a vida de vocês vai será mais sussa!”

E continuou: “Claaaaaaaaaaaaaaro que não estou me referindo a todos vocês, nem todo mundo aqui é traíra. Há um só traíra! Meu Pai sabia desde sempre que seria assim. Um amigo que partilhava do meu prato de comida resolveu virar-a-casaca. Tô dizendo tudo isso agora para que quando acontecer vocês entendam que eu Sou o Ungido.”

E falou mais ainda: “Quem de vocês der acolhida para quem eu lhes mandar, estará me recebendo. E na boa, quem me recebe, recebe o próprio Pai, tá ligado?”

Jesus resolveu tornar público que um de seus amigos ali era o traidor. E todo mundo ficou com cara de besta. Ficavam olhando para a cara de cada um com aquele olhar de “eu sei que foi você”. Até que Pedro pediu para que João (deitado no colo de Jesus tipo um crianção ganhando um cafuné do mestre) que perguntasse quem era o traíra. João perguntou e Jesus disse que o X9 era quem ele servisse o pão molhado no prato. Aí Jesus pegou um pedaço de pão e em slowmotion Pedro viu o prato passar rente a ele. Dava para ouvir de longe o suspiro que ele deu. O prato com o Pão molhado foi parar na mão de Judas. Ele comeu o Pão e o Diabo tomou conta dele. Jesus disse: “O que você veio para fazer, vai fazer logo!”

Ninguém tinha entendido o que Jesus disse para Judas, pensaram que ele tinha saído para comprar mais umas garrafas de vinho.
Depois que Judas vazou na braquiara, Jesus começou a conversar com os discípulos: “Manos, o Ungido é glorificado e o Pai é glorificado nele. Ele glorificará o Ungido nele mesmo e vai acontecer daqui a pouco”.

Jesus chamando os seus amigos mais para perto, deu um abraço coletivo. E todos meio que tristes, ouviram Jesus dizer: “Vocês são a minha alegria. Amo demais vocês. Puxa, como vocês são gente que me faz feliz. São meus amigos. O que tenho para dizer não é bom. Vou me ausentar. Vocês vão me procurar e não vão me encontrar. Mas enquanto eu estiver fora, eu ordeno que se amem como eu amei vocês. É uma ordem, não é um pedido. Entenderam? Agindo assim todo mundo aí vai ver e saber que vocês me amaram e eram meus amigos.”

Aí Pedro, limpando as lágrimas dos olhos e tirando o catarro que descia pela sua barba, deu aquela sungada com o nariz e disse aos berros: “Jesus porque eu não posso ir com você agora? Eu vou dar a minha vida por ti, não me deixa aqui sozinho!”

“Ô Pedrão, Pedrão do meu coração. Velho você é muito gente fina, mas essa sua reação é apenas emocional. E para você ver que realmente é, antes que o galo cante você já terá me negado três vezes”.

Guilherme Burjack - burjack@gmail.com

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